terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

 há realmente uma hora em que seus dedos urgem para teclar e escrever algo que precisa ser eternizado em palavras?

nesse momento, provavelmente, você não corre e sim, se desdobra ao máximo no que quer passar ao papel. note que eu digo algo sobre papel e teclas, já que no fim, não importa se o que você tem ao seu alcance seja um telefone ou um papel e uma caneta. o que importa é deixar sua marca, mostrar que esteve aqui. de qualquer forma, hoje, estive mais lá longe (temporalmente), em um jardim onde as flores e outras plantas, eram regadas automaticamente por um tipo de tecnologia que envolve garrafas pet reutilizadas. pegue a garrafa usada, encha de água e enfie na terra. sua planta terá sempre como beber água, desde que você continue enchendo o refil. nessa casa em que estou, não aqui (fisicamente), o terreno é ótimo de se desbravar quando os adultos bebem pinga no almoço, e você, como poucos anos tem, inventa histórias no quintal com os pássaros pretos que comem ovos enquanto piam. a terra é molhada, já que quem cuida do terreno reside em alguma cidade satélite que não seja aqui. logo, quando me perguntam onde estou, é muito fácil que eu feche os olhos e me perca onde eu realmente me encontrom fisicamente, ou já estive em algum momento. aqui o lago norte é sul, mas bem quando eu quero terminar o texto, mesmo preferindo estar ao lado norte da cidade, nos braços do meu grande amor, me perco nas risadas dos velhos que estão na mesa, bem perto da piscina. em algumas piscadas, já não há cachorros de corrida magrelos (galgos), apenas uma casa de madeira, e o que tento esquecer. tudo me trás direto ao que sempre não posso correr.

sábado, 12 de dezembro de 2020

Barulho interno e Raul

 4/12/20


Agora você vê, contorna os olhos pela mesa. Seu amor te olha de relance. Qualquer movimento seu te engana, de que é aqui que não pertence. Então você se movimenta como se pudesse cortar o que houve, o que vê há mente, mas não te pertence. Externo, mas o que é que sai da sua boca? Meu Deus! Posso ficar aqui até que canse você mesma, meu fluxo inconclusivo de que não tem mais o que fazer e aproveita o momento de encontro com aquela que pensava e chegou até mim... eu! Que após ler grandiosas três páginas de Virgínia Woolf finge escrever (o que mais parecem besteiras), uma ou duas frases que não param! Olha como entorta todo fato! Aquela árvore que fora outrora esmagada pela construção de um muro feio, horroroso! Ainda levou a toca das corujas embora, sobrando apenas a casa, que eu mesma passava todo dia perto de bicicleta. Não que alguém realmente ligue. Triste fim... e eu ainda nem disse o que eu estava pensando! Bobagem! (As autoras saem de cena).


Vamos então agora mudar completamente e transformar isso aqui em um enredo. Já não entendo bem o que me acontecia antes de minha pausa. Mas este hiato veio de mim que escreve agora e não se conecta com os ruídos transferidos para este papel. Assim, então, prossigo de outra forma: 

Raul chega em casa, cambaleando, cansado. Conseguiu o material perfeito para o ofício. Duas madeirinhas que faltavam para continuar os mastros do navio, feitos com uma madeira bem clarinha. A pequena embarcação é firme e já está dentro de uma garrafa, dessas que se acha numa praia, que se encontrara, outrora, abandonada por pescadores bebuns! O bambu de 3mm é usado por Raul, que consegue enfiar os dois últimos espetos para a construção da pequena embarcação. Tudo bem colocado com a gama-cola e cola epóxi. Pouco sei sobre embarcações, mas até que conheço Raul e seus devaneios. Não se assuste se encontrar a garrafa quebrada, bem atrás da porta de seu quarto. 



terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Para o meu amor

  8/12/2020


Olá, meu amor. 


Te escrevo agora em meio aos textos e artigos que ainda preciso entregar até o fim desta semana. Uma pausa para que eu possa te entregar um pouco do que está na minha cabeça. Estive e ultimamente sempre estou pensando, quando não tenho que acalmar os convidados de uma festa do chá no país das maravilhas, no quanto as coisas mudam e assim nós mesmos também. Fecho os olhos e aqui estou eu em 2020, sentado na frente do computador e tentando lembrar as últimas vezes que realmente estive aqui, que te olhei com os meus próprios olhos, que te envolvi em meus braços e te dei beijos em sua sobrancelha. As imagens mentais que compõem o que sei e lembro, possuem diversas autoras, mas as minhas próprias eu guardo com muito carinho. Antes, já fui alguém que falava o nome em voz alta, não conseguia ficar calado e dizia tudo com um sorriso estampado no rosto, invencível, feito os meninos da Rua Paulo. Lembro bem de quando roubei o primeiro caderno da cultura, e agora tenho vontade de fazer isso novamente, mas para te entregar em mãos o exemplar. Quando foi que eu vim parar justamente atrás de tantas cortinas? Espero que, mesmo por não dizer muito meu nome e tão pouco estar por aqui sempre, não pense que meus sentimentos por ti são menores ou inexistentes. O meu amor por você é como uma boa viagem de carro, em meio a uma estrada em que a vegetação é tão espessa, que as árvores de cada extremidade do asfalto se encontram em um abraço. O vento no nosso cabelo, o tabaco aceso, eu te olhando de canto enquanto você dirige.  A minha vontade é de te escrever os mais belos textos, em que as palavras são sinestésicas, como se estivesse ouvindo a melodia dos mais belos cantores que te abraçariam com amor. 


Eu te amo, carinho. Muito.

Cicero. 


quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Para Cícero


Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar 

sempre aqui estou paralisada em lágrimas nos tantos ladrilhos do chão que outrora já contei mas já não me importa a soma ou a multiplicação. quem me navega é o mar? em um barco pelas minhas memórias ouço a voz de um belo cantor. posso eu agarrar sua voz pra me tirar daqui, cicero? ouço Paulinho da viola que me leva a anos atrás. pouco me importa a realidade quando quem me navega é o mar. ele me carrega como se fosse me levar, então te digo, leva-me daqui, bem longe daqui! não mais em um carro à caminho do colégio, mas sim novamente nesses ladrilhos. Novamente. minha noites em que me embriago de qualquer álcool a minha frente, sinto-me sozinha até que não já estou mais no presente, ouvindo o que já fora real. então te digo, me carrega dessa vez pra fora daqui em seus braços, numa viagem longa, longe do mar, de Brasília, do que não compreendo e em que choro incertezas. o corte entre passado e presente acontece quando encontro você, de passagem perto de mim, trazendo uma brisa leve. não é fuga, medo, mas sim eu já deitada na cama prestes a adormecer. a garrafa já escondida no armário, tabaco acabado, copos secos e sem álcool. já não me sinto sozinha. 


Alice. 

sábado, 24 de outubro de 2020

para lua


bebendo em qualquer banheiro ou sala com alguma janela bem mais alta do que eu, já que me encontro no chão que já não parece ter mais fim. sento-me aqui sozinha, como costumo geralmente estar, a não ser que alguém me tire a bebida e me ponha a dormir a força, muitas vezes já inconsciente de mim mesma. as palavras me descem fácil pelas notas, metáforas não me fazem melhor e o que escrevo pode ser s-o-l-e-t-r-a-d-o. já não sei mais meu ponto ao escrever, apesar de que todas as letras parecem estar aqui a pedir para serem escritas. um ombro amigo, longe. uma garrafa a borbulhar, sempre perto, os barbitúricos? não os toma! que nem o poema já escrito por mim algum tempo atrás. meu reflexo? não o reconheço, então não o olho. escondo-me de mim e vejo-me pelo reflexo dos ladrilhos à direita. as paredes tão firmes e cheias de ranhuras que posso socá-las até que me sinta aqui. sinto-me e digo a mim mesma, sempre vou estar ao seu lado mesmo que não estejas ao meu, por aqui as letras de um belo cantor sempre me deixam bem e as ruas de roma não gritam, mas são intervencionistas quando algum morador dela sofre, é roubada a casa. esse texto nada mais é que um abraço em um satélite tão distante que tanto faz questão deu ser um Plutão em seu sistema solar. não peço alguma resposta, apenas observo de longe o brilho, que daqui não tão longe está. é verdade, não sou a melhor por aqui, mas nunca duvidei de nada e nenhuma que sou. amo você, fique bem. 


com todo o carinho que conheço,

alice


---------------------------- correção do texto abaixo ----------------------------


Para Lua

Bebendo em qualquer banheiro ou sala com alguma janela bem mais alta do que eu, já que me encontro no chão — que já não parece ter mais fim. Sento-me aqui sozinha, como costumo geralmente estar, a não ser que alguém me tire a bebida e me ponha para dormir à força, muitas vezes já inconsciente de mim mesma.

As palavras me descem fácil pelas notas. Metáforas não me fazem melhor, e o que escrevo pode ser s-o-l-e-t-r-a-d-o. Já não sei mais qual é meu ponto ao escrever, apesar de todas as letras parecerem estar aqui, a pedir para serem escritas.

Um ombro amigo? Longe.
Uma garrafa a borbulhar? Sempre perto.
Os barbitúricos? Não os toma!
Como naquele poema que escrevi há algum tempo.

Meu reflexo? Não o reconheço, então não o olho. Escondo-me de mim e vejo-me pelo reflexo dos ladrilhos à direita. As paredes, tão firmes e cheias de ranhuras, que posso socá-las até me sentir aqui.

Sinto-me. E digo a mim mesma:
"Sempre vou estar ao seu lado, mesmo que não estejas ao meu."

Por aqui, as letras de um belo cantor sempre me deixam bem. E as ruas de Roma não gritam, mas são intervencionistas quando algum morador dela sofre — é roubada a casa.

Este texto nada mais é que um abraço em um satélite tão distante, que tanto faz questão de ser um Plutão em seu sistema solar. Não peço alguma resposta. Apenas observo, de longe, o brilho — que, daqui, não está tão longe assim.

É verdade: não sou a melhor por aqui.
Mas nunca duvidei de nada, e de nenhuma que sou.

Amo você.
Fique bem.

Com todo o carinho que conheço,
Alice

notas de alice

 não me importo se as linhas não seguem um padrão, se os mapas em cima de uma grande mesa de ferro não se movam ou se completam, desde que as risadas parem e tornam-se acordes eu estou bem. não quero eu ser a que tem que saber de algo que te doa há anos, já basta o que eu não entendo como realidade ou memória. se te assusta o que está pendurado em uma parede, pra mim já basta saber disso para que também me assuste, de verdade. por qual motivo não quer pensar assim?


Alice




--------- correção gramatical sóbria ---------


Não me importo se as linhas não seguem um padrão e se os mapas em cima de uma grande mesa de ferro não se movem ou se completam - desde que as risadas parem e se tornem acordes, eu estou bem. Não quero ser eu a ter que saber de algo que te dói há anos, já basta o que eu não entendo como realidade ou memória inventada. Se te assusta o que está pendurado em uma parede, para mim já basta saber disso para também me assustar, de verdade. Por qual motivo você não quer pensar assim? 


Alice

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Fuga nº1 - em casa

hoje acordei cedo, tomei sol enquanto sentado nas pedras da frente da minha casa, me lembrei de como eh se sentir aqui, em meio a uma grande bagunça que estao sendo esses dias. respirei fundo, minhas costas doem e minha mae dorme em seu quarto abafado.
as vezes acho tao contraditorio o que eu sou! te digo agora, leitor, que meu momento preferido do dia eh a manha, sinto-me aconchegado pelos raios do sol que dao-me vontade de ainda continuar estar aqui, o que me leva a pensar o que eh tambem estar aqui.  eu poderia estar sozinho em Buzios agora, sentado na areia da praia, sentindo o vento no meu cabelo que estaria molhado. imagino a cena, conheco-me tao bem que sei que nao seria eu a ir embora correndo do mar. do contrario, estou em meio a biblioteca da minha casa, penso longe e imagino todos os lugares que queria estar agora.
nossa cabeça foi feita para nos sentirmos tao limitados? sou eu apenas desejos? alguns devaneios que me perseguem. posso eu, saber tao bem quem sou mas em cada afirmacao do que me constitui agora, depois de um tempo, ser tao paradoxal a ponto de eu ser uma grande mentirosa?


Cicero.


----------------------- correção gramatical do texto -----------------------

Fuga nº1 - em casa

Hoje acordei cedo, tomei sol enquanto estava sentado nas pedras da frente da minha casa. Lembrei-me de como é se sentir aqui, em meio à grande bagunça que têm sido esses dias. Respirei fundo. Minhas costas doem e minha mãe dorme em seu quarto abafado. Às vezes acho tão contraditório o que eu sou! Digo agora, leitor, que meu momento preferido do dia é a manhã. Sinto-me aconchegado pelos raios do sol, que me dão vontade de ainda continuar aqui — o que me leva a pensar: o que é, também, estar aqui? Eu poderia estar sozinho em Búzios agora, sentado na areia da praia, sentindo o vento no meu cabelo, que estaria molhado. Imagino a cena. Conheço-me tão bem que sei que não seria eu a ir embora correndo do mar. Do contrário, estou em meio à biblioteca da minha casa. Penso longe e imagino todos os lugares onde queria estar agora.

Nossa cabeça foi feita para nos sentirmos tão limitados? Sou eu apenas desejos? Alguns devaneios que me perseguem. Posso eu saber tão bem quem sou — e ainda assim, a cada afirmação do que me constitui agora, perceber que, depois de um tempo, tudo se torna tão paradoxal a ponto de eu ser uma grande mentirosa?

Cícero