domingo, 4 de março de 2018

Him

when I was young

and the rhymes clung to his body


now im ruined by pretty words 

and dirty thoughts

quinta-feira, 1 de março de 2018

Rascunho 2

Apresento-lhes
meu poema digital,
marginal, que se
picha na rua da esquina

Vira lambe
na parede
de Brasília

Apresento-lhes
o poeta,
dono da inconvencional
poesia sem rédeas,
informal

Aquele que só é poeta
por ser futuro atual
e sempre conseguir achar
o que vem seguinte
do assunto poético
ao ponto final

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

You can’t catch them

That’s what I say, man
While smoking a cigarette.
I see paper girls
That with no fear in eyes
Runs with the monsters
Under the red blooded sea

I see paper girls
That play with fire
And follow their dreams

I see, man,
They will go further than you

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Eremita

São 21:00 e eu observo tudo
No restaurante vazio, coisa rara
Então aproveito bem
Sentado na mesa de fora
Com meu cigarro na boca
E o sereno à minha cabeça 

Bom, para começar
Estou sim, sentado aqui sozinho
Mas não, não pense nada de mim!
Não fui um homem bem sucedido na vida, é o que eles dizem por aí 
Nunca fui de mexer com dinheiro - a burguesia lascante nunca me teve por completo! Não por completo!

Eu sou um escritor, mas não muito conhecido, anônimo 
Escrevo o que veem e não observam
Escrevo sobre você, você aí, você mesmo!
Escrevo sobre o que engravatados escondem
Escrevo sobre tudo o que querem dizer e são pagados para não dizerem
É assim que vivo
Escrevo
Ah! E rio muito, sim! Surpreso?
Eu vivo muito, muito bem, meu senhor

Sou um apreciador, um crítico nato da arte! 
Isso envolve música! Pinturas! 
E claro, os sorrisos mais belos que esbarro por aí! 
Mas se me perguntas se tenho como provar, com o meu nome no jornal ou em um papel qualquer, o quão bom sou nessa área 
Você então será enganado
 
Vivo sem isso, eu vivo o instante 
É essa a minha especialização
Escrevo enquanto você dorme
Escrevo enquanto você rouba
Escrevo enquanto o tempo passa e finjo
me encontrar nesse mundo imenso e assustador
Escrevo o real cru, mas nunca, nunca finjo
Vocês todos escondem-se dentro de si
Fingem, fingem aproveitar o tempo, se abarrotando de informações inúteis a todo tempo, sem descanso algum
Fingem serem felizes, garimpam ouro do chão como se cada brilho da matéria fosse se tornar sonhos concluídos 
Eu não. Ah! Não tenho tempo para isso
Eu vivo o agora, de olho em cada detalhe
Tenho isso tudo que vês, caminho com o tempo
“A vida é uma ilusão! Aprenda isso e saberá como viver bem em meio aos cegos pela materialidade de tudo!” - dizia o meu velho
Aprendi bem
Mas não sou desregrado, não pense assim de mim, não sou um vagabundo!
Eu sou mesmo é um amante! Amante da vida, amante do que ainda resta de bom nesse mundo 
Você consegue ver agora?
Espere, espere mais um pouco, já que meu leu até aqui, sente-se mais um pouco 
Ouça, isso é o som do silêncio da noite
Ouça, isso agora é o som do casal que está sentado bem ali ao lado, risadas
Ouça, isso é o som de um morcego 
Ouça, preste atenção em tudo, pelo menos agora
Isso é um poema que só pode ser lido
Por você 
Bom, qual o meu objetivo aqui?
Viver, é claro! Quem sabe também adicionar palavras mais doces na vida dessas pessoas amargas...
Porém, o meu objetivo principal
É escrever para pessoas como você
Obrigado por ter me dado
A sua incrível companhia. 


Notas da autora:
Não me recordo do contexto que escrevi esse texto. Provavelmente eu me divertindo pensando como seria se eu fosse o Mário dos meus contos ou, quem sabe, um outro escritor bem arrogante desses. Lembro que quando eu era adolescente eu quis muito escrever um texto sobre um jantar em que o leitor pudesse participar da experiência. Depois de um tempo, escrevi vários desses textinhos com temática de um jantar à noite em um restaurante em que o leitor pudesse se sentar "comigo" (seja quem eu invento ser) ou pudesse ver, com os meus olhos, o que há nesse jantar. Acredito que esse textinho aqui seja um desses dessa coleção - esse é um dos que menos gosto e vi que estava escondido nos rascunhos desse blog e hoje 18/5/25 to postando novamente. 


sábado, 30 de dezembro de 2017

Varias

Reflexos 
Espelhos 
Três corpos 
Em um só 

Curvas
Silhuetas 
O que tu vê?

É repetido
Cada imagem 
Uma de cada vez
Em cada espelho 
Ou vidro de carro
As vezes, mais de três 

Pisca teus olhos
A imagem desaparece
Reaparece
Vira outra
Afinal, onde existo em mim?

Toco na imagem
Se desmonta em outras
Não obtém sucesso
Não há como parar
Afinal, o que há em mim?

Não para 
Vira limite estressante 
Evita
Tapa cada pedaço de reflexo

Agora é pelas mãos 
Que tenta se reconhecer 
Só os olhos não basta
A mente materializa
o que se é temido

Então, o que se vê é real? 
O que é visto  
Vem de dentro
Inconsciente 
Briga entre ego e superego


Afinal, quem sou eu?

domingo, 10 de dezembro de 2017

21 de Outubro de 1969

O nevoeiro de Charles
E as pulgas no sofá velho de Kerouac
Todos loucos boêmios
Em que quanto mais risco
mais saboroso tudo se tornava
Cigarros, cartas e corridas de cavalo
Apostas, cervejas geladas e o frio na barriga estridente
Os carros em alta velocidade, os amores efêmeros 
e o suicídio cometido a três
lápis e papel e mão
O mar escuro de versos e ironias
Sorrindo, de forma cínica,
desesperados
com o afogamento
Embebedados por tudo:
Pela América prostituta de 150 quilos,
Pelas orgias
Pelo êxtase insaciável exteriorizado em cada palavra, cada ponto,
batido a maquina de escrever
Pela Califórnia, Nova Jersey, Kansas, de navio até a África e por fim, O Paraíso, O Inferno.
Pela jornada sem fim em busca do prazer
em busca de linhas ritmadas em alucinógenos
Por alter egos misantrópicos que vivem de mulher em mulher
Pela jornada sem fim enquanto a pantera negra
se desloca até você
e sua cama
Por uivos erógenos
E as famigeradas mesas de bar
Sim, embebedados por tudo,
até que a contínua embriagues, sedenta
torna-se sangue, hemorragia.


domingo, 19 de novembro de 2017

Alcova

Um quarto, escuro, breu noturno 
Cortinas fechadas, grade na janela
Um silêncio em meio aos lençóis 
Que é cortado por um som fraquíssimo 
Só eu posso ouvir
Acima da minha cabeça há uma lâmpada 
E, mesmo estando tudo fosco
Pude notá-la por ser mais soturna e extensa 
Foi tudo tão rápido 
Sua teia agora cobre quase todo o teto
E ela desce, vagarosamente,
Pelos tecidos
Seu olhar rúbeo 
Suas patas afiladas, quase a me tocar
Porém, não tocam 
E apenas suas presas que não pude enxergar com clareza 

Em meio a esse tempo de dúvida, ela se aproximava 
Pisco meus olhos com força 
Em um ato lépido de martírio 
Três vezes 
E ela some

Pergunto-me agora
Quando voltará?